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terça-feira, 12 de outubro de 2010

SIMEÃO E ANA


Simeão e Ana foram dois fiéis que adoravam no Templo de Jerusalém. Ambos esperavam o Messias que haveria de vir segundo o seu Antigo Testamento tinha predito.

Um dia, um casal pobre e o seu bebé chegam com a oferta prescrita pela Lei, para apresentar o seu filho recém-nascido ao Senhor, a mãe da criança também necessitava de purificação de acordo com a Lei Mosaica. Simeão viu algo extraordinário nesta pequena família. Por fim, a esperança da vida de Simeão tinha aparecido e, através do Espírito Santo, que reconheceu no pequeno bebé o cumprimento da promessa de Deus de salvação para todos.

Lucas não diz se Simeão era um sacerdote do templo ou não, mas já que profetizou e foi possivelmente abordado por Maria e José, quando eles levaram Jesus para a apresentação, torna possível que ele fosse um dos os sacerdotes.

Ana, também, apesar dos seus 84 anos, alegrou-se com a salvação que havia chegado a Jerusalém na forma desta criança. Ela começou a dizer a todos que, como ela, esperavam a redenção da nação que o Redentor havia finalmente chegado.

Quando foi isso?

Isto aconteceu quando Jesus tinha apenas alguns dias de idade, então você poderia pensar que isto pode ser datado com precisão (em 1 d.C.). Mas o compilador do calendário cristão tem algumas coisas erradas. Herodes, que estava vivo quando os sábios veiram à procura de Jesus, morreu em 4 a.C., de modo que seria mais ou menos no tempo que Jesus foi trazido ao Templo por Maria e José.

Você pode ler sobre este encontro entre uma família jovem e estas duas pessoas idosas em Lucas capítulo 2, versículos 21 - 40. É um relato que vem logo após o glorioso registo do nascimento de Jesus e da aparição dos anjos aos pastores nos campos (Lucas 2:1-20).

Porque essa Visita?

Maria e José eram um casal judeu devoto, ansiosos por guardar a Lei e somos informados de que Jesus nasceu sob a Lei de Moisés, que era a lei de Deus para a nação nesse tempo:

“V
indo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos.” (Gálatas 4:4,5)


Eles já haviam circuncidado e dado o nome a Jesus no oitavo dia (Lucas 2:21). Agora ele tinha que ser apresentado ao Senhor, como a lei exige (Êxodo 13:2,11,12; e Números 3:11-13). E a própria Maria teve que ser purificada de acordo com a Lei (Levítico 12:2 – 6, 8).

O que Aconteceu?

No templo, o justo e devoto Simeão, levou o menino Jesus em seus braços e pediu a Deus para permitir que agora pudesse morrer (Lucas 2:29). A vida de serviço de Simeão estava terminada.

Foi uma ocasião repleta de simbolismo, pois em Simeão, temos um retrato da velha, e moribunda Lei Mosaica, tendo a promessa da salvação em seus braços. Olhando nos olhos da Nova Aliança (Jesus), ele sabia que tinha chegado o tempo para o fim da Antiga Aliança. Algo melhor havia chegado.

Simeão em hebraico significa "ouvir". Lucas diz que ele estava esperando a “consolação de Israel” (Lucas 2:25). Isso significa que ele estava esperando o tempo quando a nação de Israel, então sujeita à ocupação romana, seria finalmente livre. Na realidade, Jesus havia chegado em primeiro lugar para libertá-los da escravidão do pecado.

Anna, também, esperava "a redenção de Jerusalém". Ela queria mais do que a liberdade da ocupação estrangeira, mas a liberdade do pecado que tem um poder sobre todas as pessoas. Uma viúva por muitos anos e, possivelmente, sem filhos, como Simeão, Ana tipifica a idosa, e natureza estéril da Aliança Mosaica e regozijava-se de contar sobre o cumprimento da promessa de Deus de um Messias, para qualquer um que estivesse no templo que quisesse escutá-la (Lucas 2:38).

Simeão olhou para o menino Jesus, cujo nome hebraico, Josué, significa “Deus salva” e orou: "
meus olhos já viram a tua salvação"(v 30).

Ele continuou a dizer que esta salvação era uma luz de revelação para os gentios (não judeus) e para a glória do povo de Israel. Por outras palavras, a salvação de Jesus era para todas as pessoas, um eco do que os anjos tinham dito anteriormente aos pastores. Confirmou, também, o que Isaías profetizou; que o Messias seria "uma luz para o gentios" (Isaías 9:1-2; 42:6, 49:6; 60:1-3).

Simeão abençoou a pequena família, e fez três profecias surpreendentes, que:

  • Jesus causaria a ascensão e queda de muitos (Lucas 2:34);
  • Jesus seria falado contra (v 34);
  • Maria iria sofrer muito com o que se passaria com Jesus (v 35).
Todas estas profecias foram cumpridas exatamente como predito.

O Que Aprendemos?

1 - O próximo capítulo de Lucas dá uma lista de algumas pessoas importantes no mundo dessa época, começando com o imperador romano, Tibério César. No entanto, a Palavra de Deus não veio para qualquer um deles, mas para um homem humilde no deserto (Lucas 3:2). Desde pastores nos campos até Simeão e Ana de corações abertos, estes versículos mostram que Deus escolhe os humildes, e não os poderosos (Isaías 57:15), a quem Ele se revela e o Seu propósito.

2 - Das previsões de Simeão aprendemos que a salvação de Deus é para todas as pessoas: judeus e não-judeus, pois todos nós precisamos ser salvos do pecado.

3 - Eu, Jesus nasceu num lar e amoroso onde Deus era o centro, um padrão para seguirmos.

4 - Havia alguns no antigo Israel que esperaram pacientemente para o aparecimento do Messias, com esperança, como Simeão, que viveriam para ver a Sua vinda. Jesus voltará, uma segunda vez (Atos 1:11). Somos conhecidos de Deus? E estamos com paciência esperando o retorno do Seu Filho? Nós devemos estar!

Joan Lewis

(Article: Simeon and Anna, Glad Tidings 1518, pag. 18-19)

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

TRÊS HOMENS DIFERENTES

O Ministro do Governo

Ele era um homem numa posição de considerável autoridade. Hoje diríamos que ele estava encarregue do “Tesouro Público” numa corte real - na verdade, na Corte de Candace, Rainha dos Etíopes. No entanto, fica muito claro em “Atos dos Apóstolos” no Novo Testamento que ele era um homem muito religioso.

Ele tinha ido numa peregrinação a Jerusalém e estava voltando a casa. Foi uma longa e difícil viagem que ele fez no que era provavelmente algum tipo de transporte de quatro rodas com uma cobertura. Quando nós o encontramos, ele parara para se refrescar e estava lendo o Antigo Testamento. Dissemos que ele era um homem religioso e ele estava especialmente interessado na fé os Judeus.

O evangelista Filipe veio a ele  a pedido de Deus e perguntou a este ministro se ele entendia o que ele estava lendo. A humildade do homem é espantosa:Ele disse,

“Como poderei entender, se alguém não me explicar? E convidou Filipe a subir e a sentar-se junto a ele” (Atos 8:31).


Filipe começou mesmo naquela passagem que o Etíope estava lendo no Antigo Testamento e falou-lhe das boas novas do grande auto-sacrifício e maravilhosa ressurreição de Jesus Cristo a partir dos mortos. O etíope ficou tão comovido que imediatamente confessou a sua fé e pediu batismo. Então eis aqui um homem religioso de considerável importância nos assuntos do seu país tendo a humildade de perceber que sua importância secular não era nada comparado com a sua necessidade de salvação do pecado, da morte e do batismoem Cristo, Você pode ler a história completa deste homem em Atos capítulo 8.

O Fanático religioso

O próximo homem a quem iremos estudar era membro de uma seita elite dos Judeus. Ele era um fariseu erudito, um homem culto que se tornou um religioso fanático determinado a erradicar de uma vez por todas o que ele via como heresia do Cristianismo. Ele tinha o poder e a autoridade para fazer o que achava certo. Mas teve que aprender, muito contra a sua vontade a princípio, de que sinceridade não era o suficiente e pode até um engano! Somente uma experiência altamente dramática iria fazer este homem dar a volta.

Podemos ler sobre a sua experiência no capítulo 9 de Atos dos Apóstolos. Podemos também continuar a ler no mesmo livro como ele se tornou o apóstolo dos Gentios e do trabalho que ele fez durante muitos anos para levar o evangelho a muitas e diferentes partes do mundo Romano. Sim, também ele, homem religioso que era, veio a perceber que ele precisava de ser batizado para em o nome salvador de Jesus. E tudo aconteceu porque ele encontrou o glorioso Senhor Jesus ressuscitado enquanto viajava para Damasco. Ele foi a primeira conversão na Estrada para Damasco!

O Centurião romano


O último de nossos três homens diferentes era um centurião Romano. Podemos ler sobre ele nesse mesmo livro do Novo Testamento no capítulo 10. Dizer que ele era um “bom homem” é dizer pouco.

Ele era devoto, generoso, e homem de oração. Certamente ele seria aceite por Deus por causa do homem que ele era. O seu nome era Cornélio, um centurião do regimento Italiano, sendo assim Gentio.

O apóstolo Pedro - o apóstolo aos Judeus - foi enviado a ele por Deus com esta mensagem soando em seus ouvidos: “Ao que Deus purificou não consideres comum” (Atos 10:15).

Como resultado dessa visita e sua reunião com Cornelius, o apóstolo Pedro veio a saber que Deus estava abrindo a porta da fé aos Gentios, bem como aos Judeus. Assim Pedro falou sobre a salvação em Cristo a Cornélio e ele também foi batizado.

Lições para nós

Podemos aprender com os exemplos destes três homens. Nenhum deles era “um zé ninguém”, pela estimativa dos homens pois eles todos ocupavam cargos ocupados de autoridade nas suas diferentes capacidades. No entanto, por mais poderoso que uma pessoa possa ser, quer seja temida, quer seja bem vista, quer seja religiosa, quer seja bondosa e atenciosa para os outros, quer seja generoso ou discreta, todas estas coisas são como nada. Todos nós, sem distinção, precisamos de ficar face a face perante o Senhor Jesus Cristo e, como estes homens de tempos antigos, confessar a nossa própria indignidade e os nossos pecados, e ser batizados no seu Nome Salvador.

O Baptismo significa ser enterrado em água como uma forma simbólica de expressar a morte da nossa velha natureza - relacionada com o pecado, a doença e a morte - e ao nos levantarmos da água simboliza o início de uma nova vida em Cristo relacionada com a justiça pela fé, saúde espiritual e novidade de vida. Quando isso acontece, iremos através da nossa própria experiência,
compreender estas palavras vivificantes do apóstolo Paulo:

“Porque todos quantos fostes batizados em Cristo de Cristo vos revestistes. Dessarte, não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus.”  (Gálatas 3:27-28).
Trevor A. Pritchard


(Article: Three Different Men, Glad Tidings 1517, pag. 16-17)

segunda-feira, 26 de julho de 2010

O Que Deus Prometeu

Há muitas promessas importantes na Bíblia e no presente artigo, pretendemos apenas examinar algumas delas.

Mas primeiro devemos lembrar que existem dois tipos de promessas: condicionais e incondicionais.

Condições?

Uma mãe pode dizer ao seu pequeno filho Tommy, se comeres o repolho, depois podes comer sorvete. Isto é uma promessa condicional dependente se Tommy come o repolho ou não.

Por outro lado a mãe, poderia dizer: “Tommy, como está um bom dia iremos nadar esta tarde.” Esta é uma promessa incondicional e expressa uma firme intenção de ir nadar.

Esta distinção pode nem sempre ser tão simples como parece, mas é uma distinção útil e, na Bíblia, vemos que Deus faz tanto promessas condicionais como incondicionais.

Vejamos duas passagens chave do Novo Testamento, que falam das promessas de Deus.

...Pelo seu divino poder, nos têm sido doadas todas as coisas que conduzem à vida e à piedade, pelo conhecimento completo daquele que nos chamou para a sua própria glória e virtude,
pelas quais nos têm sido doadas as suas preciosas e mui grandes promessas, para que por elas vos torneis co-participantes da natureza divina, livrando-vos da corrupção das paixões que há no mundo
” (2 Pedro 1:3-4).


Observe que as promessas são descritas em termos superlativos – elas são "mui grandes e preciosas” e para além disso, elas prometem a vida eterna – participação “da natureza divina” – como o oposto da nossa natureza natural mortal que está sujeita à morte eterna.

Tudo Através de Jesus

A segunda passagem do Novo Testamento que queremos ver é esta:

Porque quantas são as promessas de Deus, tantas têm nele(Jesus) o sim” (2 Coríntios 1:20).

A linguagem pode parecer-nos um pouco estranha, mas o significado é muito claro – todas as promessas de Deus encontram a sua realização através de Jesus. O que significa que as promessas de Deus para as pessoas como Adão e Eva, Noé, Abraão e David são cumpridas em Jesus. Isto requer um pouco de cuidadosa investigação, se você não está familiarizado com as promessas, então vamos conhecê-las uma a uma.

A Adão & Eva

A primeira das grandes promessas de Deus é incondicional e aparece muito cedo na Bíblia - na verdade, em Génesis capítulo 3, versículo 15. Aqui está ela, dita à serpente:

Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.

Estas palavras foram cumpridas em Jesus que era em uma maneira muito especial o descendente de uma mulher (Maria), mas não tinha pai humano. Ele receberia um ferimento não-fatal (uma ferida no calcanhar não é fatal), mas que, por sua vez desferiria um golpe fatal para a descendência da serpente (representando o pecado e tudo que se opõe a Deus). O Senhor Jesus, o filho da mulher, de facto recebeu ferimentos e foi cruelmente morto, mas os seus ferimentos não foram fatais. Pois Deus ressuscitou-o dos mortos ao terceiro dia para a vida eterna.

Através de Jesus (o único o homem sem pecado), o poder do pecado e toda a oposição a Deus foram quebrados (feridos) e a Seu tempo Deus toda a oposição a Deus e Jesus será completamente eliminada. Se pensarmos nisso, é uma maravilhosa promessa de esperança, para o homem e mulher que timha, pecaram e ficaram(E que por sua vez, todos nós)  sujeitos à fadiga e morte e ainda assim no início das Escrituras há essa garantia absoluta de que o poder do pecado e da morte seria completamente quebrado.

A Noé

Um pouco mais adiante, no relato Bíblico chegamos à seguinte promessa:

Não tornarei a amaldiçoar a terra por causa do homem, porque é mau o desígnio íntimo do homem desde a sua mocidade; nem tornarei a ferir todo vivente, como fiz. Enquanto durar a terra, não deixará de haver sementeira e ceifa, frio e calor, verão e inverno, dia e noite” (Génesis 8:21,22).

Nesta passagem, lemos que, após o grande dilúvio, Deus prometeu que  jamais voltará a usar  um diluvio como castigo. Esta é outra promessa incondicional que a grande Terra continuará habitável - e é um grande conforto para nós de vez em quando quando os cientistas fazem previsões de grandes catástrofes naturais que virão sobre a terra.

A Abraão

Talvez a mais importante de todas as promessas de Deus foi aquela feita a Abraão (mais tarde confirmada ao seu filho Isaque e ao seu neto Jacó). Por favor, leia Génesis capítulo 12 versículos 1-4. Deus fez esta promessa com a condição de que Abraão (1) deixasse a terra do seu nascimento (2) o seu povo e (3) a sua própria família. Abraão fez todas essas coisas primeiro ao sair de Ur dos Caldeus, depois deixou o seu pai e o seu próprio povo (em Harã, Síria) e, finalmente, a sua família (o seu sobrinho Ló).

Devido a isso os componentes da promessa serão certamente cumpridos. Deus prometeu que  os descendentes de Abraão se tornaria uma grande nação e isso se cumpriu, pois as nações Judaica e Árabes são todos descendentes de Abraão. Deus também prometeu que todos os povos sobre a terra seriam abençoados através de Abraão. Isto já se cumpriu? Já!

Jesus é um descendente de Abraão e através de Jesus podemos receber o perdão dos pecados e a esperança segura da vida eterna. É por isso que o primeiro versículo do Novo Testamento começa com a afirmação: “Livro da genealogia de Jesus Cristo, filho de David, filho de Abraão” (Mateus 1:1).

A David

Esse versículo menciona o rei David, bem como Abraão. David foi rei em Jerusalém, cerca de 1000 a.C. e foi um servo fiel de Deus. Em 2 Samuel capítulo 7 versículos 12-16, temos o registo de uma grande promessa feita por Deus a David, acerca de um descendente  que iria reinar como rei para sempre no o trono de David, que estava, naturalmente, em Jerusalém.

O referido é descendente não é outro senão o Senhor Jesus Cristo. Isso fica claro nas palavras faladas a Maria (em Lucas capítulo 1 versículos 30-33). O anjo disse-lhe que o seu filho seria grande e que Deus:

Lhe dará o trono de David, seu pai; ele reinará para sempre sobre a casa de Jacó, e o seu reinado não terá fim.

Esta promessa ainda não foi cumprida mas Jesus ressuscitou dos mortos e é o rei ungido de Deus. No devido tempo (e nós acreditamos que será em breve dentro em breve), ele retornará do céu para governar toda a terra desde Jerusalém, assim como Deus prometeu.

Porque quantas são as promessas de Deus, tantas têm nele(Jesus) o sim” (2 Coríntios 1:20).

Estas são as coisas que Deus prometeu e em Sua graça Deus oferece a cada um de nós partilhar das Suas promessas e da vida eterna no Seu reino – em  e através de Jesus.
Jesus.

David Godfrey




(Article: What God Has Promised, Glad Tidings 1509, pag. 15-17)

sábado, 24 de julho de 2010

LÓ VAI PARA SODOMA

Abraão e o seu sobrinho Ló e as suas respectivas famílias e servos tinham viajado desde de Ur dos Caldeus para a terra de Canaã, por ordem de Deus. Encontrar pastagens para os seus rebanhos e manadas não era fácil, assim que decidiram cada um ir para o seu lado, e isso trouxe Ló a um ambiente difícil, como Dudley Fifield agora explica.

(1) O próprio nome de Sodoma passou para o idioma Português como sinónimo de infâmia e maldade humana. Como Ló veio a habitar nesta cidade ensina-nos como devemos viver as nossas vidas. Em Génesis capítulo 13, lemos sobre o conflito entre os pastores de Ló e os pastores de Abraão. Encontrar  pastagem suficiente estava a criar tensões insuportáveis, por isso Abraão
gentilmente permitiu que Ló fizesse a escolha quanto ao local onde os seus rebanhos iriam
pastar. Isto é o que nos é dito:

E levantou Ló os seus olhos, e viu toda a campina do Jordão, que era toda bem regada, antes do SENHOR ter destruído Sodoma e Gomorra, e era como o jardim do SENHOR, como a terra do Egito, quando se entra em Zoar. Então Ló escolheu para si toda a campina do Jordão, e partiu Ló para o oriente, e apartaram-se um do outro”                       (Génesis 13:10,11).

(2) O nome Ló significa “um véu”. Alguns  descreveram-no como “o homem
com um véu sobre o rosto”. Observe a ênfase; é um jogo com o significado do seu
nome. Ele levantou os olhos e olhou – mas a sua percepção espiritual estava nublada. Viu só as vantagens imediatas da bem regada campina do Jordão. Ele não foi perspicaz o suficiente para ver os perigos de viver na proximidade de tais “poços de iniquidade” como Sodoma e Gomorra. No início, somos informados, que ele “habitou nas cidades da campina, e armou as suas tendas até Sodoma” (13:12), mas quando os acontecimentos que precederam a destruição das cidades são registrados, nós vemos que Ló não só havia se mudado para Sodoma, mas que ele realmente "estava sentado à porta de Sodoma" (Génesis 19:1). Isso significa que ele tornou-se um juiz ou um governante da cidade, pois eram as pessoas que se sentavam na porta da entrada para tomarem decisões sobre os assuntos referentes à mesma.

(3) Dois anjos visitaram Abraão para dizer-lhe que Deus iria destruir as duas cidades de Sodoma e Gomorra por causa de sua maldade e Abraão insistiu com eles na esperança de que eles poderiam poupar Ló e a sua família (Génesis 18:23-33). Conhecendo a justiça de Deus, perguntou-lhes: “Destruirás também o justo com o ímpio?” (18:23) e, em seguida, ele tentou negociar com eles. Talvez, disse ele, houvesse cinquenta justos ali. O anjo lhe assegurou que, se fosse esse o caso então a cidade seria poupada. Abraão persistiu e confessou que, se houvesse 45, ou 40, ou 30, ou 20 ou mesmo 10 justos entre os habitantes de Sodoma, a cidade seria poupada. Foi-lhe dada a garantia de que por 10 pessoas tementes a Deus a cidade seria poupada.

Isto é uma visão notável da misericórdia de Deus, que Ele não destruiria a cidade, se dez justos se encontrassem lá, mas que Ele sofreria então a maldade da maioria. Isto fala-nos volumes sobre a tolerância de Deus em face da iniquidade do mundo em que nós vivemos. Sem essa graça e misericórdia a humanidade teria sido apagada da face da terra à gerações atrás. Na verdade, a realidade é que Deus sempre salva os justos, pois o “justo Ló" (2 Pedro 2:7) foi salvo quando as duas cidades foram destruídas.

Destruição!

(4) Os terríveis acontecimentos que ocorreram em Sodoma está registado em Génesis capítulo 19, versículos 1-29. Podemos nos perguntar se a visita dos dois anjos foi o teste final. Se os homens daquela cidade se tivessem comportado de maneira diferente, Deus a teria destruído? Mas não havia remédio e assim tomando Ló, a sua esposa e as suas duas filhas, o anjo conduziu-os para fora da cidade. (Veja os versículos 16-22 para um outro exemplo da compaixão e condescendência de Deus.) O capítulo diz-nos que a mulher de Ló
olhou para trás e foi transformada numa estátua de sal (versículos 17 e 26). O versículo 17 deixa claro que “olhar para trás” não significa um olhar inquisitivo sobre o ombro. Eles haviam sido alertados para virar as costas a Sodoma e a tudo o que estava associado com essa cidade, ou eles morreriam com ela. Parece que a mulher de Ló tinha deixado o seu coração em Sodoma. Ela amava esse lugar; era onde ela pertencia e, por fim, ela  ficou para trás e olhou para a cidade cheia de saudades.

(5) O registo diz que ela foi transformado num pilar de sal. Tem-se observado que na área do Mar Morto, há muitos pilares de sal, alguns tão altos como 12 metros. O destino dela era ser engolida no cataclismo que afetou as cidades da planície. Ela ficou literalmente enterrada num “Pilar de sal” que posteriormente manteve-se como monumento à sua incredulidade.

Talvez, porém, ela tivesse feito mais do que olhar para trás com saudade do que tinha deixado para trás. Em Lucas 17, o Senhor Jesus refere-se à destruição de Sodoma e compara esse evento às circunstâncias que prevalecerão na terra por altura da seu segundo vinda:

Como também da mesma maneira aconteceu nos dias de Ló: Comiam, bebiam, compravam, vendiam, plantavam e edificavam; Mas no dia em que Ló saiu de Sodoma choveu do céu fogo e enxofre, e os consumiu a todos. Assim será no dia em que o Filho do homem se há de manifestar” (v. 28-30)

É impressionante que, nos dias de Noé (versículos 26 e 27), não foi a grande imoralidade das pessoas que foi enfatizada, mas sim a sua obsessão com as coisas da vida quotidiana. Essas são as coisas que em si são perfeitamente legítimas, mas, uma vez que Deus é negligenciado, buscando essas coisas leva a toda sorte de más ações (ver Ezequiel 16:49,50).

(6) Este aviso sobre os dias da segunda vinda do Senhor nos dá outra visão sobre o destino da esposa de Ló. Pois Jesus disse o seguinte:

Naquele dia, quem estiver no telhado, tendo as suas alfaias em casa, não desça a tomá-las; e, da mesma sorte, o que estiver no campo não volte para trás. Lembrai-vos da mulher de Ló” (Lucas 17:31,32).

A implicação é clara. Ela não somente olhou para trás, ela voltou mesmo para trás e morreu com o ímpios daquele lugar. Os incidentes ficam portanto, como um aviso para nós na presente geração de como devemos nos comportar se somos paras escapar dos julgamentos de Deus, quando Ele enviar o Senhor Jesus Cristo de volta à Terra.

Outra Lição

(7) Podemos, no entanto, aprender um pouco mais a partir do exemplo de Ló. Na sua Segunda Epístola, o apóstolo Pedro descreve a vida à qual são chamados os crentes no Senhor Jesus Cristo (1:4-7).

Incentivar os crentes a viver vidas como a de Cristo, ele diz:

Porque, se em vós houver e abundarem estas coisas, não vos deixarão ociosos nem estéreis no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo. Pois aquele em quem não há estas coisas é cego, nada vendo ao longe, havendo-se esquecido da purificação dos seus antigos pecados”           (2 Pedro 1:8-9).

Então seriam como Ló – o homem com o véu sobre os olhos!

O capítulo 2 da carta passa a falar especificamente de Ló. Ele descreve como Deus finalmente tomou ação na época de Noé, e depois ele diz o seguinte sobre a destruição de Sodoma:

E condenou à destruição as cidades de Sodoma e Gomorra, reduzindo-as a cinza, e pondo-as para exemplo aos que vivessem impiamente; E livrou o justo Ló, enfadado da vida dissoluta dos homens abomináveis(Porque este justo, habitando entre eles, afligia todos os dias a sua alma justa, vendo e ouvindo sobre as suas obras injustas);” (2 Pedro 2:6-8).

Note que “todos os dias” Ló afligia a sua alma com as obras injustas daqueles. Poderíamos dizer não há nenhuma sugestão disto no registo de Génesis, mas as palavras dos Sodomitas em Génesis capítulo 19 são testemunho do que Pedro escreveu. Eles disseram: “Como estrangeiro este indivíduo veio aqui habitar, e quereria ser juiz em tudo?”(19:9).

Porquê, diziam, ele é apenas um estrangeiro (ou seja, um residente temporário).  Ele não é um de nós, mas ele está sempre a criticar o nosso modo de vida.

(8) As palavras de Pedro criam uma imagem da atitude dos homens justos e mulheres para a maldade humana que poderíamos não ter considerado. Então, Ló, sua esposa, os habitantes de Sodoma e os acontecimentos em que foram envolvidos falam-nos tanto da bondade como da severidade de Deus (Romanos 11:22). Elas advertem-nos da necessidade de odiar a maldade em todos as suas formas, e afastar-nos dela, se quisermos ser achados dignos de herdar a vida eterna no Reino de Deus.

Dudley Fifield


(Article: Lot goes to Sodom, Glad Tidings 1508, pag. 12-14)

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Fé na Adversidade

O Novo Testamento foi escrito logo após que Jesus viveu na terra e foi concluído por volta do final do século primeiro. Os livros do Novo Testamento falam-nos sobre a vida e ensinamentos de Jesus e como que se espalhou esse ensino.

Os 66 livros do Antigo e Novo Testamentos em conjunto são “a Palavra de Deus”. Jesus deixou claro que para compreender o significado do seu ensino e da sua vida e morte, era necessário compreender “as Escrituras” (Lucas 24:25-27). Quando ele disse isso, “Escrituras” eram o Antigo Testamento. É importante, então, entendermos que o Novo Testamento é construído sobre a fundação do Antigo.

Um Homem de Fé

O Novo Testamento chama a nossa atenção para muitas pessoas do tempo do Antigo Testamento que mostraram fé preciosa perante adversidade. Tome José, filho de Jacó. Ele foi favorecido pelo seu pai porque ele era um filho temente a Deus. Os seus irmãos tinham ciúmes dele e o atacaram e quase o mataram. Em vez disso, ele foi vendido a alguns comerciantes que o levaram para o Egito. Lá ele se tornou escravo, servindo um oficial Egípcio. Ele provou ser fiel e consciencioso.  Mas um dia a mulher do oficial  acusou falsamente de tentar molestá-la. O resultado? Ele foi colocado na prisão. Apesar do facto de que tudo parecia estar dando errado de novo, José nunca perdeu a sua fé. Ele confiava que Deus estava desenvolvendo seu caráter através da provação, que Deus tinha algum propósito maior.

Isso ficou claro quando, mais tarde ele assistiu o Faraó no governo e armazenou cereal durante os anos de abundância para utilização durante os anos de fome. A própria família de José em Canaã foram forçados a ir ao Egito para comprar comida. Lá, numa série dramática de encontros, José revelou a seus irmãos que ele era aquele que ele tinham desprezado e vendido à escravidão muitos anos antes. Será que ele procurou a vingança? Não! Ele viu qual tinha sido o propósito de Deus:

Agora, pois, não vos entristeçais, nem vos pese aos vossos olhos por me haverdes vendido para cá; porque para conservação da vida, Deus me enviou adiante de vós” (Génesis 45:5).

José queria que os seus irmãos enfrentassem o seu errado; mas ele queria avançar e trazê-los a um relação positiva com Deus. Ele mostra-nos claramente que a confiança em Deus nos ajuda a lidar com o que a vida nos apresenta. José acreditava firmemente nas promessas que Deus fizera ao seu bisavô, Abraão, ao seu avô Isaque, e ao seu pai Jacó. Essas promessas era uma garantia de que as pessoas que fazem parte do povo de Deus têm futuro. Por mais que falhem, por muito que entrem em dificuldades, a crença nesse futuro vai conduzi-los através disso tudo. Em seu leito de morte, ele pediu a seus filhos e netos para se apegarem às promessas.

Observe que José foi julgado e testado pelas circunstâncias da vida em Canaã e, em seguida, no Egito. Ele foi traído pelos seus irmãos, vendido para escravidão; injustamente acusado pela esposa do seu senhor; injustamente preso, e então esquecido até que a nação precisou dele. Não há qualquer registo de envolvimento satânico  ou demoníaco na sua vida. Ele estava sujeito aos perigos usuais e desafios da vida e ele sobreviveu a estes com um notável estado de espírito, com compreensão e maturidade. Deus usou as circunstâncias duras da sua vida para desenvolver o seu caráter e prepará-lo para tudo o que estava por vir. Porque ele tinha aprendido a controlar os seus próprios sentimentos ele acabou por ser o homem perfeito para controlar e regular o Egito através dos difíceis anos de abundância e fome que estava por vir.

A Adversidade Personificada

Muitos anos mais tarde, quando David era rei sobre a antiga nação de Israel, ele
também enfrentou muitas adversidades na sua vida. Ele era um homem que amava a Deus e orava por ajuda em qualquer situação. Isto é o que fazem os homens de fé. A sua compreensão da palavra de Deus é reforçada pela oração. A oração não funciona num vácuo; consiste escutar Deus, o que fazemos quando lemos a Bíblia, a Sua Palavra. Depois, quando expressamos que precisamos d'Ele , fazemo-lo com a consciência de que Ele sabe melhor, que a adversidade e provação têm um propósito, levando-nos mais perto d'Ele e aprofundando a nossa experiência de vida. Um conhecido Salmo de David expressa isso muito bem:

Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo; o teu bordão e o teu cajado me consolam. Preparas-me uma mesa na presença dos meus adversários, unges-me a cabeça com óleo; o meu cálice transborda. Bondade e misericórdia certamente me seguirão todos os dias da minha vida; e habitarei na Casa do SENHOR para todo o sempre” (Salmo 23:4-6).


O salmo está escrito em linguagem poética. Sabemos que não existe na realidade um “Vale da sombra da morte”. O bordão e cajado são figuras de estilo(linguagem), lembretes dos instrumentos de um pastor. A associação entre pastor e Deus ajuda-nos a compreender que Deus é como um pastor que cuida das Suas ovelhas.

Oposição Retratada

O Antigo Testamento foi escrito na língua Hebraica e a linguagem pictórica é frequentemente usada para tornar as coisas mais vivas e memoráveis. A palavra Hebraica “Satanás” significa adversário - aquele que se opõe ou resiste, ou um acusador. Ela ocorre apenas por volta 30 vezes  nos 37 livros do Antigo Testamento, mas refere-se a toda uma gama de diferentes coisas que se opõem ao propósito de Deus. Numa ocasião “Satanás” é a palavra usada para descrever um anjo enviado por Deus para resistir a um profeta quer queria falar contra o povo de Deus:


Então, Balaão levantou-se pela manhã, albardou a sua jumenta e partiu com os príncipes de Moabe. Acendeu-se a ira de Deus, porque ele se foi; e o Anjo do SENHOR pôs-se-lhe no caminho por adversário(satanás). Ora, Balaão ia caminhando, montado na sua jumenta, e dois de seus servos, com ele.” (Números 22:21,22).

Satãs Humanos

Noutras partes a mesma palavra é usada sobre vários adversários humanos. Aqui estão alguns exemplos:

“Não te ausentes de mim, ó Deus; Deus meu, apressa-te em socorrer-me. Sejam envergonhados e consumidos os que são adversários de minha alma; cubram-se de opróbrio e de vexame os que procuram o mal contra mim” (Salmo 71:12,13);

“Porém os príncipes dos filisteus muito se indignaram contra ele; e lhe disseram: Faze voltar este homem, para que torne ao lugar que lhe designaste e não desça connosco à batalha, para que não se faça nosso adversário no combate; pois de que outro modo se reconciliaria como o seu senhor? Não seria, porventura, com as cabeças destes homens?” (1 Samuel 29:4);

“Porém David disse: Que tenho eu convosco, filhos de Zeruia, para que, hoje, me sejais adversários? Morreria alguém, hoje, em Israel? Pois não sei eu que, hoje, novamente sou rei sobre Israel?”(2 Samuel 19:22);

“Levantou o SENHOR contra Salomão um adversário, Hadade, o edomita; este era da linhagem real de Edom” (1 Reis 11:14).

Testados pela Vida

É importante perceber que em nenhum lugar na Bíblia, existe a ideia de que um anjo caído chamado Satanás que está trabalhando contra as pessoas para afastá-las de Deus. Isto será uma surpresa para muitas pessoas que acreditam neste ponto de vista popular. Mas quando lemos o Antigo Testamento vemos que os adversários (ou “satãs”, tal como está em Hebraico) aparecem de todas as formas e tamanhos. Eles podem ser soldados, camaradas de armas, inimigos - mesmo até anjos, que estão fazendo a vontade de Deus, como aquele que parou Balaão no seu caminho. Mas o adversário nunca é um anjo caído, porque os anjos não podem cair: eles são os servos totalmente fiéis de Deus no céu.

E lembre-se que existem apenas cerca de 30 ocorrências dessa palavra Hebraico no Antigo Testamento. Se houvesse realmente um “anjo caído”, como algumas pessoas acreditam, não seria referido com muito mais frequência? Podemos unicamente pedir-lhe que olhe para as provas com  uma mente aberta.

O ponto importante é este, como nós vimos quando olhamos para a vida de pessoas fieis como José ou David. Quando reconhecemos que a palavra “satanás” é a palavra Hebraica do Antigo Testamento que significa “adversário”, chegamos à conclusão que nas adversidades da vida não estamos sendo testados por algum monstro sobrenatural que tenta destruir as nossas vidas, arrastando-nos para destruição e desviando-nos de Deus.

A adversidade nos vem de pessoas, às vezes até mesmo do próprio Deus, para testar e desenvolver o nosso caráter. Deus quer que as pessoas mudem, que estejam dispostas a colocar a sua confiança n'Ele, venha o que vier na vida. Se fizermos isso, podemos ter certeza de que Ele ricamente no recompensará, se não nesta vida, então na que há de vir.

Michael Owen

(Article: Faith in the Face of Adversity, Glad Tidings 1513, pag. 11-13) 

quinta-feira, 22 de julho de 2010

A Parábola do Homem Rico e Lázaro

Jesus certa vez contou uma parábola sobre um homem rico que não ligava a um mendigo que estava à sua porta. A situação inverteu-se, no entanto, quando ambos morreram e Jesus descreveu uma situação que é muito diferente daquela que as pessoas acham que vai acontecer após a morte. Leia a parábola por si mesmo em Lucas, capítulo 16, versículos 19 a 31, e depois veja o que David Budden tem a dizer sobre isso.

Introdução

Muitos encontram dificuldades nesta esta parábola e certamente apresenta problemas. No entanto, os seguintes pontos devem ser observados:

  •  É a única parábola em que Jesus apresenta uma personagem com nome. 
  • Há um inesperado detalhe - cinco irmãos! Porquê cinco?
  •  A parábola era para os ouvidos dos Fariseus, que eram “avarentos” (Versículo 14), e estavam ridicularizando Jesus enquanto ele falava sobre a “verdadeira riqueza e os perigos da cobiça.”
  • Jesus ressuscitou Lázaro dos mortos, os fariseus tentaram destruir Lázaro, porque a sua própria existência era um poderoso testemunho do poder e autoridade de Jesus.

A ideia principal da parábola vem no verso final –  se as pessoas ser convencerem pela Palavra revelada de Deus, então mesmo uma ressurreição dos mortos não faria nenhuma diferença.

A História

A história é sobre um homem rico e um mendigo chamado Lázaro. O homem rico vivia em grande luxo, mas o mendigo à sua porta – um homem que ele conhecia por nome –  Estava numa situação lastimável, coberto de feridas que eram lambidas pelos cães. Ambos os homens morreram; Lázaro foi para o “Seio de Abraão”, mas o homem rico, tendo sido sepultado, foi para o”Inferno” (“Hades”), onde ele sofria dor extrema em chamas. Lá havia um grande abismo entre os dois, mas mesmo assim eles poderia falar uns com os outros e o homem rico pediu a Abraão para enviar Lázaro a ele com um pouco de água fria para acalmar a sua sede.

Abraão lembrou ao homem o passado, quando ele tinha ignorado o sofrimento do mendigo à sua porta, mas, para além disso, o grande abismo tornava impossível que Lázaro fosse ter com ele.O homem então se lembrou dos seus cinco irmãos e pediu que Lázaro fosse enviado para avisá-los da necessidade de arrependimento. "Eles têm suas Bíblias", respondeu Abraão. "Sim", respondeu o
o homem em sofrimento, “mas se um dos mortos for adverti-los, eles estariam avisados”. A resposta de Abraão foi: “Se ignoram a Palavra de Deus, então até mesmo um milagre será em vão”.

Comentário

Esta parábola não apresenta o ensinamento de Jesus sobre a vida para além da sepultura. A Bíblia é enfática, e Jesus ensinou, que os mortos “dormem” em suas sepulturas, totalmente inconscientes até o dia da ressurreição. (Veja João 11:11-14, 23-25 e Mateus 22:23-33).

Por muitos anos a Judeia tinha sido parte do império Grego e o pensamento Grego, com ideias de almas imortais, tinha penetrado o pensamento Judaico. A expressão “no seio”significa uma relação muito estreita –  Jesus usou o termo para expressar o seu relacionamento com seu Pai (João 1:18). No cenáculo, João – o discípulo a quem Jesus amava – estava reclinado no seio de Jesus. Então, os justos são considerados como estando “no seio de Abraão”, sendo Abraão o pai dos fiéis.

Jesus está fazendo uma paródia das falsas crenças que então existiam e, portanto, expõe os seus absurdos. Será que os justos realmente são capazes de ver os ímpios contorcendo-se em chamas eternas? Serão eles capazes de conversar entre si, mas estar impotentes para ajudar? Claro que não!
Nós precisamos de lembrar que Jesus estava falando aos fariseus que eram maus, os homens abraçavam essas ideias pagãs ridículas.

Mas porque é dado o detalhe sobre os cinco irmãos? Caifás era o Sumo Sacerdote na época e teve cinco cunhados, os quais foram sacerdotes. Aqueles escutando a parábola entenderiam que a parábola era, em primeiro lugar para as ouvidos de Caifás. Jesus, de facto, ressuscitara um homem chamado Lázaro dos mortos e devido a esse milagre muitas pessoas acreditavam em Jesus (João
11:45). A resposta dos Fariseus, que foi bastante diferente, pois eles “resolveram matar também Lázaro” (12:10).

Assim, as palavras de Jesus eram justificados. Aqueles que puseram os seus rostos contra a palavra de Deus não serão movidos nem mesmo por uma ressurreição dos mortos.

Conclusão

Estamos rodeados por milagres da natureza e a televisão nos permite testemunhar as maravilhas da complexidade e inter-dependência para além da nossa compreensão. Será que as pessoas são compelidas a glorificar Deus e apreciar o Seu poder infinito? Nada disso! Assim, tal como foi há dois mil anos, os que ignoram a Palavra escrita de Deus não podem ser demovidos por  qualquer evidência que eles vejam de um Criador interessado na terra que criou. Em vez disso, é provável que digam “Deus provavelmente não existe.” A sério!

David Budden

(Article: The Parable of the Rich Man and Lazarus, Glad Tidings 1509, pag. 10-11)

"Na Casa de Meu Pai Há Muitas Moradas ... "

Esta é uma passagem da Escritura, em João capítulo 14, versículo 2, que faz com que algumas pessoas acreditem que Jesus estava oferecendo um lugar no céu, mas, como Mark Buckler agora explica, o Senhor tinha algo muito diferente em mente.

Um Livro Judaico

Muitos de nós esquecerá, quando lemos a Bíblia, que é um livro judaico, escrito principalmente por escritores Judeus sobre o povo Judeu. É tão fácil para nós lê-lo com dois mil anos de ideias e interpretações em nossas mentes que nos esquecemos de fazer uma pergunta simples: O que os autores desta passagem entendiam que ela queria dizer, quando a escreveram e o que os seus leitores ou ouvintes entenderiam dela?

Assim, quando Jesus falou sobre as muitas moradas na casa do seu Pai, o que ele quis dizer com isso e o que os seus ouvintes teriam entendido? Aliás, esta é uma passagem que é frequentemente lida na igreja em serviços funerários e hoje é pensado que é uma promessa de uma herança com Deus no céu. É isso o que Jesus queria dizer?

Casa de Deus

A expressão “casa de meu Pai”, assim como é utilizada nos Evangelhos sempre se refere ao Templo de Jerusalém. Por exemplo, quando Jesus visitou o Templo, um menino de doze anos, o seu comentário às questões dos seus pais foi: “Por que me procuráveis? Não sabíeis que me cumpria estar na casa de meu Pai?”(Lucas 2:49). Ou quando Jesus purificou o Templo, ele disse: “Tirai daqui estas coisas; não façais da casa de meu Pai casa de negócio.”(João 2:16).

Assim, Jesus estava dizendo aos seus discípulos: em João capítulo 14, que havia muitas moradas no Templo, e que ele iria voltar e viver com eles sobre a terra de uma forma semelhante à como os sacerdotes viviam perto de Deus, porque eles viviam no Seu Templo – na Casa de Deus. Mas era mesmo assim? Era o Templo uma casa para as pessoas, ou apenas a Casa de Deus?

A Estrutura do Templo


Na descrição da construção do primeiro Templo por Salomão, é mencionado a construção de câmaras construídas em três andares nos três lados do templo:

Contra a parede da casa, tanto do santuário como do Santo dos Santos, edificou andares ao redor e fez câmaras laterais ao redor. O andar de baixo tinha cinco côvados de largura, o do meio, seis, e o terceiro, sete; porque, pela parte de fora da casa em redor, fizera reentrâncias para que as vigas não fossem introduzidas nas paredes”(1 Reis 6:5,6).

Estes quartos eram para os sacerdotes viverem enquanto estavam de serviço no Templo, assim, quando Jesus se refere às “muitas moradas” na " Casa do Pai ", os discípulos teriam podido visualizar as inúmeras salas construídas no lado do Templo, e teriam entendido logo,o que ele queria dizer.

“Voltarei...”

Isto foi o que Jesus prometeu.

Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar. E, quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, estejais vós também”(João 14:1-3).

Ele estava prestes a morrer como sacrifício para os pecados, mas ele se levantaria novamente e, oportunamente, iria para o céu, para se sentar à mão direita do Pai. Mas quando chegar a hora certa, ele voltará à terra, para viver com o seu povo – como num templo. Havia alguma situação semelhante em que os discípulos poderiam pensar que fosse semelhante ao que estava prestes a
acontecer?

Pensando sobre as atividades que tinham lugar no templo, os discípulo se lembrariam que diariamente os sacerdotes entravam no Santo Lugar e que uma vez por ano o Sumo Sacerdote passava através do segundo véu, e entrava no Santo dos Santos como representante do povo. Depois de fazer sua oferta ele saia de novo para o povo, tendo feito expiação por eles.

O Grande Sumo Sacerdote

Jesus ia fazer a mesma coisa pelo o seu povo  – mas muito mais ainda! Ele estava indo para a presença real de Deus, não apenas até uma representação de Sua presença, como acontecia no Templo. Este é um tema totalmente  desenvolvido pelo apóstolo Paulo, quando escriveu aos Hebreus, que diz:

Porque Cristo não entrou em santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, porém no mesmo céu, para comparecer, agora, por nós, diante de Deus; nem ainda para se oferecer a si mesmo muitas vezes, como o sumo sacerdote cada ano entra no Santo dos Santos com sangue alheio. Ora, neste caso, seria necessário que ele tivesse sofrido muitas vezes desde a fundação do mundo; agora, porém, ao se cumprirem os tempos, se manifestou uma vez por todas, para aniquilar, pelo sacrifício de si mesmo, o pecado” (Hebreus 9:24-26).

No caso de Jesus, quando ele morreu Deus mostrou a Sua aprovação total do seu sacrifício ao rasgar o véu do Templo de Jerusalém, de cima a baixo – para mostrar que uma novo caminho tinha sido aberta para a Sua presença, e que não somos mais dependentes de um sacerdócio terrestre.

Tendo, pois, irmãos, intrepidez para entrar no Santo dos Santos, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou pelo véu, isto é, pela sua carne, e tendo grande sacerdote sobre a casa de Deus, aproximemo-nos, com sincero coração, em plena certeza de fé, tendo o coração purificado de má consciência e lavado o corpo com água pura” (Hebreus 10:19-22).

Novamente, a imagem que os discípulos teriam obtido destas palavras estaria baseada nas suas próprias experiências da vida daquele tempo. Que significado diferente obtemos quando olhamos para uma passagem das Escrituras e consideramos as características da época em que foi escrita. Se nós não fizermos isso estamos sempre em perigo de impor as nossos próprias ideias, dos tempos atuais, tentando assim fazer com que as Escrituras ensinem o que nós queremos que elas digam!

Mark Buckler



(Article: “In My Father’s House are Many Mansions…”, Glad Tidings 1508, pag. 15-16)